A BENDITA BASE

A BENDITA BASE

por Guilherme Barreto

Quando me filiei ao Partido dos Trabalhadores em setembro de 2015, houve uma plenária de recepção aos, naquela ocasião, trinta e cinco novos filiados, que ocorreu numa tarde de sábado no sindicato dos servidores federais. Houve, nessa plenária, uma fala bastante enfática do Senador Humberto Costa, saudando a coragem daqueles que se filiavam ao PT no momento mais difícil de sua história, e que era fundamental nesse momento que o PT voltasse a se construir a partir de sua base. Esse discurso, aliás, de que o PT precisa voltar às bases, tem sido muito presente desde o segundo turno das eleições de 2014. É consenso na esquerda que o que garantiu a vitória da presidenta Dilma em 2014 foi a intensa mobilização e união dos grupos de base da esquerda. Durante a luta  contra o golpe ainda em 2015 ouviamos os dirigentes do PT afirmando enfaticamente "devemos reconstruir nossa relação com as bases", "o PT precisa voltar a ouvir a base", a base, a base, a base. 

Após o golpe de 2016, o PT, preparando-se para o seu VI congresso, voltava suas discussões para a retomada à base. Tanto que a resolução do diretório regional, após o VI  congresso colocou:

"15.9. Aprofundar a articulação com os movimentos sociais e com a Frente Brasil Popular na defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores(as), especialmente na construção da nova etapa da Caravana da Democracia a ser realizada pela FBP neste segundo semestre;" 

Novamente, às bases. 

E assim tem sido, em 2015, 2016 e 2017, foi consenso no partido a volta às bases até chegarmos a 2018. Este é o ano para colocarmos em prática todo esse desejo de retomada de vínculos com as bases, de reafirmar a democracia interna de que o partido tanto se orgulha. E é nesse contexto que o PT/PE deve ouvir suas bases, pois as bases dizem: Candidatura própria. E dizem com ainda maior convicção: Marília Arraes.

Como sabido, o VI congresso adotou como resolução aprovada por unanimidade :
" 13 – Além de tudo isso, a desastrosa gestão do PSB em Pernambuco está impondo outros graves retrocessos ao povo pernambucano, do que são exemplos o caos atual na segurança pública, a privatização e a precariedade da saúde, a repressão às reivindicações de professores e a falta de políticas eficazes nas questões hídricas, deixando o nosso povo vulnerável seja quando ocorre estiagem, seja quando chove."

" 15.3. Apresentar uma candidatura própria do PT-PE ao Governo do Estado nas próximas eleições, em oposição ao governo do PSB, para que Pernambuco retome os rumos de seu crescimento social e econômico e seja resgatado das ameaças e atrasos impostos por uma gestão ineficiente e omissa, bem como para defender a democracia e os direitos dos pernambucanos(as);" 

Ou seja, foi consenso para o PT/PE que a gestão do PSB é "desastrosa" e que esta gestão desastrosa está "impondo outros graves retrocessos". Como então, faltando cinco meses para as eleições, pode ser considerada uma tese de aliança com esse governo que definimos, por unanimidade, ser "desastroso"? O que, de um ano para cá mudou para esse governo considerado desastroso pudesse ser digno de nosso apoio? Em 2017 foram mais de 5 mil homicídios. Até abril desse ano, mais de 700 assaltos a Ônibus. 

Argumentam, então, a necessidade de unir os partidos progressistas nacionalmente. Pois muito bem, devemos unir os partidos progressistas, mas isso deveria incluir o PSB/PE? No primeiro turno de 2014, Eduardo/Marina, no segundo turno, apoio a Aécio. Em 2016, apoiou o golpe liberando, inclusive, secretários estaduais que tinham mandato para que fossem votar a favor do golpe. Tendo o golpe vencido, ocupou, enquanto PSB, o ministério de minas e energia com o deputado Fernando Filho. 

Ora, então estamos falando de um governo "desastroso" que em tudo foi contra o PT nos últimos anos. Não apenas o PT, mas contra a democracia nacional. Como então admitir uma tese de aliança com esse governo? 

Estamos caminhando para uma encruzilhada política na medida em que caminhamos sem uma definição. Teremos a oportunidade de afirmar que "voltar às bases" não é uma estratégia retórica. Temos a oportunidade de colocar em prática aquilo que avaliamos desde 2015. Aproveitaremos a oportunidade ou nos arrependeremos após um novo golpe?

Guilherme Barreto
Militante da juventude do PT. 
Delegado ao Encontro Estadual