Nota da Coordenação Nacional da Avante - Tendência Interna do PT

Nota da Coordenação Nacional da Avante - Tendência Interna do PT

Marília, Avante!

O golpe que o país sofreu em 2016 com o afastamento da presidenta legitimamente eleita, e sua continuidade por meio da aprovação de reformas anti-povo e da caçada ao presidente Lula, colocou o Partido dos Trabalhadores em um momento bastante particular de sua história. Enquanto o primeiro nas pesquisas segue injustamente encarcerado, os movimentos sociais são criminalizados, o país vendido e o povo espoliado, ao PT cabe apenas uma tarefa: resistir.

Em um contexto como esse, o processo eleitoral deve ser visto como uma das trincheiras necessárias para fortalecer a luta do povo. Ao dizermos que não temos plano B à candidatura de Lula, reafirmamos que não legitimaremos o Estado de exceção que se instala no Brasil, ao reafirmamos a política de denúncia do golpismo usamos as eleições para disputar cargos que nos deem as ferramentas necessárias para mudar a vida do povo, mas também aproveitamos este espaço para disputar hegemonia e dar voz aos que não dirigem os conglomerados midiáticos ou detém o grande capital neste país.

Ver as eleições de 2018 como mais um processo eleitoral seria um erro histórico do Partido dos Trabalhadores. Também cometeremos erros caso realizemos os debates eleitorais do partido nos estados de maneira descolada da realidade nacional. O PT, em todos os estados precisa considerar esses elementos estruturantes da conjuntura que vivemos, e em Pernambuco as particularidades de um estado em que nosso partido há anos enfrenta enormes dificuldades políticas e, no último período, tem conseguido empolgar a militância e recuperar expressivo espaço na sociedade.

Se em âmbito nacional o PT passou a enfrentar graves problemas já durante o processo do golpe, em Pernambuco essas dificuldades já se apresentaram de maneira grave em 2012, no processo que retirou João da Costa, então prefeito do PT no Recife, da disputa pela reeleição. Na ocasião a Direção Nacional interveio no estado e revogou a decisão da prévia em que a base do PT havia aprovado a postulação de reeleição de João da Costa. Esse erro político nos levou a apresentar uma candidatura sem qualquer respalda dos filiados do partido e, como se viu,de baixo apelo popular, que nos conduziu a uma derrota humilhante naquele pleito para o PSB pernambucano.

Em 2014, o PT acumulou derrotas eleitorais e políticas. Após firmar uma aliança com Armando Monteiro que varreu a bancada federal do PT-PE, perdemos o senado para Fernando Bezerra Coelho que derrotou João Paulo inclusive na votação em Recife. Na sequência outra derrota em 2016, na disputa para prefeitura onde se contava com a força eleitoral do ex-prefeito João Paulo, que sofreu outra derrota pra máquina do PSB local.

Para os que possuem memória curta, vale lembrar que o PSB de PE foi o ponta de lança contra o PT com a candidatura de Eduardo Campos e Marina Silva contra Dilma em 2014; fez feroz e agressiva campanha para Aécio no segundo turno; se empenhou de maneira exemplar no golpe de 16; apoiou Temer; e buscou isolar e varrer o PT do mapa no estado...não conseguiu!

Novos fatos, novos atores e a dinâmica política e social ajudaram o partido a tomar fôlego. O aprendizado das derrotas e a chegada de novos filiados, fez surgir espaço para neste leito de urgência realizarmos o debate pela necessidade de termos candidatura própria em 2018.

É nesse ambiente que cresceu e empolga a militância do PT, dos nossos aliados sociais, e de outros partidos de esquerda, a candidatura de Marília, que tem sido construída num processo de mobilização e debates em todo estado.

O fato de Marília ter se filiado ao PT num momento de baixas e muitas dificuldades, lhe credenciou junto à militância. E, em tempos nos quais o enfrentamento ao machismo é para além da luta por igualdade uma das faces da nossa luta contra o fascismo, o fato de Marília ser uma mulher, e quadro político muito ousado e combativo, também é elemento importante para a ampliação de sua capacidade de mobilização.

Hoje esta candidatura não mais pertence ao PT nem à Direção Nacional do PT, cresceu bastante e já é um fenômeno na sociedade. Símbolo de uma renovação política, Marília se converteu num fantasma para as pretensões do PSB de Paulo Câmara que a frente de um governo desgastado tem ainda de enfrentar a crescente força de Lula que, junto com Marília, tem contribuído fortemente para a volta por cima do PT.

É diante deste quadro que os golpistas buscam uma reaproximação com o PT nacional. O oportunismo do PSB de Pernambuco, que tem como objetivo reduzir os impactos de uma rejeição de aproximadamente 70% tirando do povo a possibilidade de uma alternativa, casa-se com a busca pela manutenção do poder a todo custo por parte de setores petistas que preferem ver o PT reduzido a pó a perder seu domínio.

Todas as outras forças politicas aguardam a decisão do nosso partido para se definirem. O PT volta a ser parte decisiva da dinâmica da disputa no estado, enquanto o PSB busca desesperado, retirar Marília da disputa.

Neste quadro iremos para um encontro estadual no próximo dia 10 de junho para definir a tática eleitoral entre, candidatura própria e aliança com o PSB. Há um jogo bruto pra derrotar nossa candidatura que tem cerca de 20% de intenção de votos no Estado, apoio dos movimentos sociais e de amplos setores da sociedade.

As chances de elegermos a governadora de um dos maiores estados do Nordeste é real e, em muitos outros aspectos, a candidatura própria do PT é central. Esta terá a possibilidade de em um momento ímpar disputar a sociedade e expor nossa posição de maneira nítida em relação ao golpe. Contribuirá ainda para que o PT de Pernambuco volte a ter uma bancada federal que somará esforços com os parlamentares de esquerda de todo o país para revogar as reformas de Temer, bem como para ampliar a bancada estadual.

O povo quer Marília Governadora, não cabe ao PT rasgar sua história e impedir que para o executivo estadual de Pernambuco digitemos 13 nas urnas em outubro deste ano.

Lula Livre, Lula Presidente! Marília candidata, Marília Governadora!