O PT a caminho do seu VII Congresso

O PT a caminho do seu VII Congresso

- Diálogo com os filiados e filiadas do PT -
 
Daqui a alguns dias, mais precisamente em 22 de março de 2019, durante reunião do Diretório Nacional do PT, vai se discutir e aprovar o calendário do processo de renovação das novas direções do Partido nos municípios, estados e nacional.  Esta será uma das datas fundamentais para decidir sobre a participação dos filiados/as que será definida pelo plebiscito, ou seja, se as renovações se darão por PED (Processo de Eleição Direta) ou por escolha dos delegados eleitos em congressos.

 

 

Apelo aos membros do Diretório Nacional para que façam uma profunda reflexão e deliberação que garanta aos filiados/as o direito de eleger, democraticamente pela base, os seus dirigentes no município, estados ou nacionalmente. Assim, quem vencer estará fortalecido politicamente pela base de filiados/as. Daí a minha defesa e o meu apoio à realização do PED.
 

 

Lamentavelmente, eu quero externar a minha posição a todos/as os/as filiados/as do PT de que as discussões que começam a acorrer sobre este processo não estão, na minha opinião, contribuindo para aquilo que desejo.
 

 

Historicamente, um partido pluralista que nasceu da adversidade, com representação do movimento sindical dos trabalhadores, da intelectualidade e de outros setores da sociedade, não pode concordar com a maneira como estão se comportando alguns dos seus dirigentes.

 

O PT que sempre se pautou e garantiu a democracia interna e participativa não pode admitir, seja lá de quem for - inclusive eu - comportamentos personalistas e projetos voltados para a institucionalidade (ou seja, mandatos) visando substituir a discussão coletiva que sempre fluiu dentro das suas correntes.
 

 

Na minha opinião, é inadmissível que qualquer membro do PT se utilize das plataformas da grande mídia, que sempre nos atacou cotidianamente com o objetivo de manchar a imagem do partido, para emitir posições seja em off ou no anonimato, ou mesmo “terceirizando” opiniões também sob anonimato. E mesmo aqueles que não se utilizam de tais manobras, mas que veem a mídia como um instrumento útil para elogiar, criticar ou emitir opiniões sobre nossas questões internas. Para mim é um método extremamente condenável.

 

 

As discussões que fazem na grande mídia sobre o processo de renovação das direções do PT na verdade são opiniões de caráter pessoal, porque pelo menos na CNB (Construindo um Novo Brasil) estes temas que se tornaram alvos de polêmica nunca estiveram na pauta de discussão política da corrente.
 

 

Aqui quero chamar a atenção especialmente da militância jovem pós 2002 que este filme que se apresenta hoje disfarçado de objeto de defesa do PT, na realidade expressa o retrato do que aconteceu internamente no Partido nos idos de 1993, quando dividiram o Partido ao fragmentar as suas opiniões e pensamentos. E temos como exemplo a triste condução do processo das eleições presidenciais de 1994 que levaram o PT e a candidatura do companheiro Lula a uma fragorosa derrota.
 

 

Por trás desta aparência de querer provar quem é o “mais petista”, os lobos se manifestam em peles de cordeiros para passar uma impressão falsa de que são os verdadeiros donos da moral e da ética política dentro do PT.

 

Mas não quero transformar este diálogo com os/as filiados/as e militantes em um festival de lembranças desagradáveis, mas sim refrescar a memória coletiva visando um futuro aonde o Partido esteja muito acima da vaidade de todos nós.
 

 

Portanto, ao invés de ficarmos criando guerras internas, é fundamental consolidar a nossa unidade na adversidade para enfrentar o inimigo que está fora do PT.
 

 

Termino usando uma frase que se adequa ao momento: “O excesso do uso do cachimbo pode deixar a boca torta”.
Abraço a todos e todas.

 

Francisco Rocha da Silva, Rochinha

 

*Este documento traduz a minha posição pessoal e não representa uma posição oficial da CNB.