POSICIONAMENTO DO MST, PARA CAMPANHA ELEITORAL EM PERNAMBUCO 2018

POSICIONAMENTO DO MST, PARA CAMPANHA ELEITORAL EM PERNAMBUCO 2018

Camaradas, a eleição de outubro próximo, para além de uma questão tática, se transformou em uma estratégia importante da luta de classes, determinante para o povo brasileiro. Representa derrotar o golpe e eleger Lula ou quem ele indicar para presidente, com um programa de governo que permita realizar uma política econômica que fortaleça e que melhore a vida do povo, com garantia de trabalho, educação, saúde, transporte, habitação, programas contra a violência, investimentos na agricultura camponesa, programas de apoio às populações do Semiárido, recuperação de políticas públicas para crianças, mulheres, povo negro, LGBTs, idosos e jovens.

        Se faz fundamental realizar, de imediato, um referendo nacional revogatório, que permita ao Presidente da República, revogar todas as medidas e reformas realizadas contra os interesses do povo, aplicados pelo governo golpista durante os dois últimos anos e meio do golpe. Além disso, firmar o compromisso de realizar as reformas urgentes e estratégicas que não foram realizadas no ciclo anterior como: a reforma do sistema político brasileiro, que deverá estabelecer um novo sistema eleitoral no Brasil, permitindo eleições democráticas e sem controle dos grupos econômicos e com novas formas de participação popular; a reforma do poder judiciário; reforma tributária; reforma agrária; reforma urbana, democratização da comunicação. Estas são condições estratégicas para que possamos atuar e elevar o nível de organização e de consciência da população do campo e das cidades, para assim construir as grandes mobilizações nacionais com bandeiras de luta que conduzam o processo da construção do PROJETO POPULAR PARA O BRASIL.

 

     O golpe feriu a democracia brasileira, o estado democrático de direito, de forma suja e rasteira. Setores da elite econômica do país, representado pelos bancos, pelo agronegócio, pelos grupos hegemônicos de comunicação e pelo judiciário, com respaldo da classe média e participação direta das bancadas parlamentares que representam os interesses destes setores, operaram de forma articulada para criminalizar não apenas o PT, mas, toda esquerda brasileira, em especial para desconstruir Lula como liderança do povo brasileiro. Também agem para desmontar todo um pensamento crítico de esquerda que lutou contra a ditadura militar, pelas diretas já, pela constituinte e pela redemocratização política no Brasil.

 

     A sociedade está polarizada e os projetos políticos ganham envergadura. Não se trata apenas de eleger candidatos, se trata de disputar consciência e de aprofundar nosso projeto político histórico.   

     Em Pernambuco, neste período de Golpe, o formato partidário vigente não deu conta das tarefas políticas de mobilizar, organizar e convocar a população para a resistência.

 

     Os movimentos e organizações sociais, que, em sua maioria, não tem vínculo orgânicos direto com os partidos de esquerda, passaram a ser protagonistas deste processo, que elegerá Lula, ou quem ele indicar, a presidente.

 

     A nova correlação de forças e o novo cenário político promoveram alterações na conformação da política brasileira. 

 

     Aqui em Pernambuco surge uma nova geração de militantes disposta a conduzir a luta política para um novo estágio da luta de classes, mobilizando e organizando o povo nas suas diversas novas ferramentas de organização e participação política (Marilia Arraes é fruto deste cenário político de lutas intensivas).

 

     Por outro lado, surgem e se fortalecem novas formas de organização e ferramentas políticas como: a Frente Brasil Popular, o Levante Popular da Juventude, Redes de Médicas e Médicos Populares, Consulta Popular, novas organizações camponesas, Via Campesina, entre outras. Nós do MST, lutamos intensivamente para que Marilia Arraes fosse candidata a governadora representando e construindo este novo campo político, mas infelizmente fomos vencidos em nome da aliança para eleição nacional de Lula Presidente.

 

     Sem Marília como candidata a governadora, as forças políticas tiveram que se reposicionar e nós do MST definimos nossa posição, com as seguintes orientações, por ordem de prioridade: número um, dedicação total à campanha para presidente, elegendo Lula ou quem ele indicar, como estratégia para derrotar o golpe.

 

     Segunda prioridade é fortalecer a chapa de candidatos (as) a deputados federais e estaduais do partido dos trabalhadores (PT), em especial das candidatas e candidatos que estiveram conosco nas ruas neste último período histórico.

 

     Nós do campo, fechamos apoio prioritário à candidatura de Carlos Veras para deputado federal e Doriel Barros para deputado estadual, mas também vamos fortalecer e qualificar as candidaturas de Marília Arraes, Ferrnando Ferro, bem como outros candidatos a deputados federais que compõem a chapa própria do PT.

 

     Para deputados estaduais convocamos a militância para fortalecer a campanha e defender o mandato da deputada Tereza Leitão, das candidatas Professora Liana Cisne e Cristina Costa e toda a chapa.

 

     Convocar voto no 13 para garantir legenda e fortalecer o conjunto da chapa para federal e estadual.

 

     Eleger o máximo de deputadas e deputados que se posicionaram contra o golpe, como o deputado Wolnei Queiros, apoiando candidaturas que contribuam para o avanço das forças de esquerda em PE, dos partidos do PT, PCdoB, PSOL, PDT e PCO.

 

     Terceira prioridade é derrotar a turma do Temer em Pernambuco, aglutinados em volta da candidatura de Armando Monteiro ao governo do estado, em especial os candidatos golpistas ao senado, por isso a coordenação do MST, definiu que a candidatura de Humberto Costa é nossa maior prioridade, vamos fortalecer a campanha de Humberto (PT) para impedir a vitória da direita e para que ele posso continuar no Senado Federal defendendo a luta dos trabalhadores.

 

Também indicamos para o segundo voto ao senado, Silvio Costa (Avante) por sua intransigência na defesa de Lula, de Dilma e contra o Golpe e para as candidatas do PSOL ao senado Eugênia Lima e Albanise Pires. Para Governador, com compromisso da Frente Popular de Pernambuco de avançar em políticas para o desenvolvimento da agricultura camponesa e da reforma agrária, na educação, na saúde, na segurança pública, estamos oficializando nosso apoio ao candidato a governador Paulo Câmara, seguindo a aliança nacional da campanha Lula Presidente e no estado com o PSB, PCdo B e PT para governo do estado.

 

Bem como, o compromisso da Frente Popular de Pernambuco, em incorporar demandas históricas ao programa de governo em 4 áreas: criar a Secretaria de Desenvolvimento Rural e Reforma Agrária, com orçamento compatível ao tamanho de Pernambuco; Criar a Secretaria Executiva de Educação do Campo, com autonomia política e administrativa, em substituição a atual gerência de Educação do Campo; Criar na secretaria de cultura, uma gerência de Cultura do campo; e na Secretaria de Saúde, uma gerência para tratar da saúde do campo. Vamos manter o alinhamento nacional declarando apoio ao candidato do PSB ao governo do estado PAULO CÂMARA, mas acima de tudo para impedir o retorno do governo do estado para os conservadores retrógados. Basta de retrocesso. Vamos para as ruas disputar os corações e mentes do nosso povo, para lutar contra o golpe e nos posicionar para as lutas futuras, que certamente vão vir.

 

A vitória eleitoral é apenas uma batalha contra o golpe, muitas batalhas vão vir até a vitória final. Vamos organizar a Frente Brasil Popular em cada município de Pernambuco, utilizando o CONGRESSO DO POVO, como grande mobilizador e organizador do povo, organizar em comitês, em núcleos, fazer agitação, animação e propagando do Projeto Popular, organizar o congresso estadual massivo e em janeiro de 2019 participar intensamente, da construção do congresso nacional do povo brasileiro.

 

     O Congresso do Povo como um espaço de participação popular, de construção do projeto popular para o Brasil e de definições táticas e estratégicas para o próximo período.

 

     Por último, seguindo nossa linha nacional, nosso apoio irrestrito e incondicional à chapa *LULA/HADDAD* para Presidência da República, para que possamos retomar os rumos democráticos em nosso país, fazendo O BRASIL FELIZ DE NOVO.

 

Caruaru, 10 de setembro de 2018

Coordenação estadual do MST